Amazonas

Horror no Amazonas: conheça tragédias que marcaram época

Ao longo das décadas, seja pelas circunstâncias ou pelo número de vítimas, acidentes e assassinatos causaram grande repercussão

Gabriela Brasil do portal @emtempo.com

MANAUS (AM) – Reconhecido pela imponência de suas florestas, cultura ímpar e paisagens deslumbrantes, o Amazonas também guarda acontecimentos misteriosos e trágicos, ocorridos em diferentes épocas, que até hoje permeiam a história do maior estado do país. 

Na madrugada do dia 14 de novembro de 1976, sábado, um dia antes das eleições municipais, um ônibus saiu de Manaus com destino à Itacoatiara. Sua partida da capital amazonense ocorreu por volta de meia-noite, e o tempo estimado do trajeto para o município era de quatro horas.

O ônibus que seguia rumo à “Cidade da Pedra Pintada”, era da antiga empresa Soltur (Solimões Transporte e Turismo), e foi um dos primeiros a ter ar-condicionado no Amazonas, sendo, então, apelidado de “frescão” pelos populares da época. Dentro do itinerário estavam 43 passageiros, mais o motorista e a rodomoça.

Acidente na AM-10, ocorrido na década de 70, é considerado até hoje a maior tragédia rodoviária do Amazonas | Foto: Reprodução

A viagem a bordo do “frescão” seguia normalmente, até o momento em que se aproximavam do rio Urubu, já em Itacoatiara. A partir desse período, por volta das 4 da manhã, ocorreu o inesperado: o ônibus acabou afundando no rio Urubu.

Quando chegaram próximo à linha limite da rodovia, a qual o ônibus precisava parar para aguardar a chegada da balsa, que já se situava no meio do rio, o motorista percebeu a ausência do freio. Assim, sem ter como pará-lo, o ônibus entrou abruptamente nas águas escuras do Urubu.

Não tinha ponte porque havia uma balsa. Essa balsa era puxada com tração de cabo de aço. O rio estreito, mas profundo de águas negras, o rio Urubu, possuía uma correnteza com muitos peixes como a piranha, por exemplo. Peixe amazônico essencialmente perigosíssimo

, detalha o historiador Daniel Sales.

Com mais de 90% da tripulação dormindo, poucos conseguiram sair vivos do veículo submerso no rio. “Foi aquele desespero. Os vidros, por causa do ar-condicionado, eram travados e não dava para quebrar naquela agonia toda”, conta Sales sobre a situação dramática durante o momento do acidente.

Ao todo, apenas quatro passageiros conseguiram sobreviver, mais o motorista e a rodomoça, após destravarem uma das janelas do veículo.

O trabalho de resgate realizado pelos bombeiros ocorreu no fim da tarde de domingo. Ao retirarem os corpos do ônibus, se depararam com muitos deles mutilados e desfigurados por terem sido alvos de mordidas das piranhas, um peixe tradicional amazônico.

“Quando chegou o socorro já era tarde. Só deu para resgatar o ônibus mesmo. Os corpos já estavam mutilados, porque após o acidente as piranhas acabaram entrando no ônibus. E desfiguraram muita gente”, relata o historiador sobre o trágico desfecho.

Aria Ramos, violinista misteriosamente assassinada

Em uma terça-feira, dia 17 de fevereiro de 1915, a cidade vivia o período de festividades do carnaval, em plena “Belle Époque” amazônica. No entanto, a morte da jovem Aria Ramos acabou chocando os populares da época.

“A Aria era do Paladinos da Galhofa, um famoso grupo carnavalesco. Inclusive era musa do grupo. E ela era bem jovem, tinha 18 anos apenas. Muito bonita para os padrões da época”, conta o historiador Daniel Sales

  O assassinato aconteceu na avenida Eduardo Ribeiro, na esquina com a avenida Henrique Martins. Nessa região, havia um casarão famoso, chamado Ideal Clube, onde Aria Ramos apresentava uma valsa no violino, conhecida como “Subindo ao céu”, até que em certo momento acabou levando um tiro. Até hoje, a morte de Aria ainda é um enigma, porque nunca encontraram o responsável pelo seu assassinato.  

A jovem Ária Ramos
A jovem Ária Ramos | Foto: Reprodução

Conforme o historiador, um dos suspeitos é o ex-namorado da violonista, que poderia ter dado um tiro na antiga companheira por ciúmes, após terem terminado. “Ela tinha o deixado por causa de um outro, que tinha chegado de fora aqui para Manaus”, diz Santos.

O crime também não foi muito investigado pelas autoridades, principalmente por causa da cultura e da religião da época, que acreditavam que a morte da jovem “estava nas mãos de Deus”.

A morte de Aria sensibilizou a cidade, que já tinha aproximadamente 110 mil habitantes. “Foi uma comoção na cidade. O corpo foi enterrado no Mausoléu, no cemitério São João Batista”.

Acidente de barco em Manacapuru

Nas águas do rio Solimões, em Manacapuru, ocorreu um dos 10 maiores naufrágios já registrados no Amazonas. O barco Comandante Salles acabou naufragando na madruga do dia 4 de maio de 2008, causando a morte de 46 pessoas.

Durante a busca pelos corpos, os bombeiros resgataram cadáveres a vários quilômetros de distância do incidente, como o corpo de um casal que viajou junto, encontrado a cerca de 20 quilômetros do local do naufrágio. Uma das explicações está no fato de que algumas pessoas tentaram nadar para se salvar, mas acabaram indo para o meio do Rio Solimões e foram levadas pela correnteza, segundo explicaram especialistas na época.

Naufrágio ocorreu em 2008
Naufrágio ocorreu em 2008 | Foto: Reprodução

No total, estavam na embarcação 80 pessoas. Foram encontrados 25 corpos de homens, 19 de mulheres e um de uma criança de apenas 9 anos. O laudo técnico das investigações apontou que a causa do acidente foi a forte chuva e superlotação.

Etelvina Alencar: a jovem santificada 

A famosa avenida Torquato Tapajós já foi chamada de colônia Campos Sales, uma área de zona rural, povoada por imigrantes que trabalhavam com agricultura. Na época, em março de 1899, uma jovem de 17 anos, identificada como Etelvina Alencar foi assassinada pelo ex-namorado conhecido como José.

“Etelvina era cearense e o José também. A maioria das pessoas que moravam na colônia eram cearenses. Houve um boato que ela tinha três namorados e o José não gostou disso mesmo sendo ex-namorado”, conta o historiador Daniel Sales.

José, então, irritado com a situação acabou comprando um rifle. Primeiro, ele matou seus dois desafetos e, em seguida, matou Etelvina. Depois acabou se matando.

Em 1901, o superintendente Arthur César de Araújo concedeu um espaço no cemitério São João Batista para o sepultamento da vítima. Ao passar dos anos, muitas pessoas passaram a conceder os milagres de cura de doenças à Etelvina. Assim, passaram a tratar a jovem como santa. Em 1984, nomearam o nome da colônia de Santa Etelvina, em homenagem à menina brutalmente assassinada.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Direto da Redação

Notícia, conteúdo e credibilidade

Folha de Maués

Notícias da Terra do Guaraná, Amazonas, Brasil e Mundo

g1 > Turismo e Viagem

Notícias da Terra do Guaraná, Amazonas, Brasil e Mundo

g1 > Mundo

Notícias da Terra do Guaraná, Amazonas, Brasil e Mundo

g1

Notícias da Terra do Guaraná, Amazonas, Brasil e Mundo

WordPress.com em Português (Brasil)

As últimas notícias do WordPress.com e da comunidade WordPress

%d blogueiros gostam disto: