Brasil Economia

Aumento da Selic para 2,75% afetará negativamente a economia no AM

Subindo de 2% para 2,75%, a alta na taxa básica de juros pode prejudicar o comércio e a indústria amazonense

PORTAL.EM.TEMPO Pela primeira vez em seis anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa básica de juros da economia (Selic), de 2% para 2,75%. No entanto, há uma previsão da Selic chegar a 5% até o final de 2021 e a 6% em 2022, segundo o Boletim Focus. No Amazonas, representantes do comércio e da indústria avaliam que a decisão foi precipitada e que trará consequências negativas para a economia no estado.

Apesar do aumento recente, vale relembrar que a taxa Selic já chegou ao exorbitante 45% em 1999. Mais recentemente, em 2015, a taxa de juros básica esteve em 14,25% ao ano e apresentou o mesmo percentual até outubro de 2016. Após esse momento, o Banco Central (BC) voltou a reduzir a taxa até chegar a 2% em agosto de 2020 e conservar-se assim até março deste ano.

Dessa maneira, o anúncio do aumento surpreendeu os representantes da economia amazonense. No setor comercial, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio/AM), Aderson Frota, explica que esse não era o momento para elevar a taxa, dado as circunstâncias da crise financeira e sanitária que o Brasil vivencia. Segundo ele, a prioridade atual deve ser fortalecer o cenário econômico e estimular o mercado de empregos. 

Frota salienta que a economia precisa de fomento para que as empresas sigam com mais tranquilidade, não chegando a decretar falência e nem demitindo grandes quantidades de funcionários por não ter como pagá-los. “Esse aumento surpreendeu todos nós porque, nesse momento de crise pesada, retira dinheiro dos investimentos e joga no mercado financeiro. Isso é muito grave, já que a economia está passando por todos esses percalços, diante dos comércios que estiveram fechados e os serviços paralisados. Com isso, a indústria também é afetada, pois se fabrica e não vende, ficando estagnada”, critica. 

Analisando a determinação do Copom e o impacto no segmento industrial, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, argumenta que a medida foi precipitada se for avaliada a desaceleração automática do consumo com o agravamento da pandemia no país e, consequentemente, no Amazonas – que ainda vive um cenário preocupante, apesar da reabertura de alguns setores.

Silva ainda fala sobre a oscilação na taxa de câmbio, que interfere na inflação. De acordo com o presidente, essas alterações trazem resultados ainda mais prejudicais que o estimado – com toda a crise pandêmica. “Temos que considerar que a variação cambial também teve grande contribuição nessa escalada contínua dos preços. Assim, ao [calcularmos] a natural retração ante às medidas de isolamento, a variação do câmbio e o aumento da Selic, temos um cenário altamente adverso que deve induzir resultados ainda mais negativos que o esperado”, avalia.

Com o desestímulo no consumo, indústria também será afetada
Com o desestímulo no consumo, indústria também será afetada | Foto: Divulgação

Consumidores atingidos

Quando há uma alta demanda por um produto e não se tem a quantidade suficiente para atender a todos os consumidores, há um aumento no preço para reduzir o consumo. Com isso, a inflação sobe e desestimula a compra. A elevação no preço dos alimentos é um dos exemplos recentes. Ou seja, houve um aumento na demanda, e logo, com a pandemia, o volume de entrega desses produtos para os mercados no Amazonas diminuiu.

De forma mais agressiva ou mais sútil, dependendo da esfera, a mudança no valor da taxa Selic influencia a vida dos amazonenses. Por exemplo, se a taxa básica de juros – responsável por controlar todos os juros do país – estiver alta, automaticamente a tarifa dos empréstimos, do cartão de crédito e dos financiamentos fica mais cara. Com essa elevação, os bancos são os que saem no lucro e a população é prejudicada.

De acordo com o assessor de investimentos Renato Oliveira, os populares acabam segurando o dinheiro nessa situação, visto que, ao tentarem realizar um empréstimo para um empreendimento, se sentem desencorajados diante dos altos juros bancários. “Essa medida acaba sendo benéfica para os bancos, porque tem uma performance mais forte, com os juros mais altos”, esclarece.

Nesse sentido, Oliveira elucida que o aumento na Selic pode conter a inflação, mas na parte dos negócios, para quem quer empreender ou financiar um imóvel, pode existir um grande desestímulo. “O consumo vai desacelerar, os preços vão corrigir e vamos voltar para o patamar de antes, pois, com menor consumo, os preços irão cair”, detalha.

Para o economista Origenes Martins, o BC passou por uma encruzilhada entre aumentar ou não a taxa básica de juros, visto que a inflação iria disparar com a redução e, com o aumento, os juros também acompanhariam a alta, como vai acontecer. “A grande importância desta taxa é a capacidade de monitorar o crédito no mercado e a taxa de inflação do país. Como estamos em uma crise social, seria totalmente fora do contexto não pensar na inflação, o que levou ao aumento da Selic e essas consequências temos para o país como um todo”, declara.

Inflação

Para o BC, o aumento de 0,75 pontos percentuais irá conter a inflação ocasionada pela crise pandêmica. Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação pulou de 4,60% para 4,71%, de acordo com o Boletim Focus, divulgado no início da semana. Em fevereiro, a inflação chegou a 5,2% no acumulado dos últimos 12 meses. Estima-se que chegue a 3,51% em 2022 e 3,25% em 2023 e 2024.

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