Amazonas saúde

Pesquisadores falam dos avanços científicos sobre a Covid-19 um ano após início da pandemia

Cientistas listam o desenvolvimento das pesquisas, além de comentarem sobre as perdas pessoais e avaliarem a vacinação.

Por G1 AM


Marcus Lacerda
https://imasdk.googleapis.com/js/core/bridge3.446.1_pt_br.html#goog_7662027300:00/01:50

PORTAL.G1.AM – Estudos sobre a ineficácia da cloroquina, sequenciamento genômico e análise de novas linhagens do coronavírus, além da descoberta do primeiro caso de reinfecção pela variante P1 e o comportamento mais agressivo do vírus. Esses foram alguns dos trabalhos desenvolvidos por pesquisadores no Amazonas ao longo desse primeiro ano da pandemia do coronavírus.

E para falar sobre esses avanços, o G1 convidou três pesquisadores locais que analisam, desde o início da pandemia, a situação do estado. São eles: o epidemiologista da Fiocruz Jesem Orellanao vice-diretor de pesquisa também da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, e o infectologista Marcus Lacerda.

Jessem Orellana
https://imasdk.googleapis.com/js/core/bridge3.446.1_pt_br.html#goog_7662027900:00/01:46

Alguns dos trabalhos realizados pelos pesquisadores foram:

Estudo aponta que alta dose de cloroquina em pacientes graves com coronavírus pode levar à morte

  • Avaliação do comportamento e mutações do coronavírus no Amazonas
  • Estudo da Fiocruz Amazônia sobre três linhagens diferentes do coronavírus no estado
  • Variante do coronavírus encontrada no AM chegou ao Japão com série de mutações inéditas
  • Casos de reinfecção por Covid-19 podem ser mais graves
  • Variante do coronavírus identificada em nove municípios do Amazonas
  • Nova variante pode estar por trás de caos no Amazonas

Responsável por comandar um dos grupos de pesquisa da Fiocruz, que fez o sequenciamento genômico do vírus e, consequentemente, encontrou novas linhagens do coronavírus no Amazonas, o vice-diretor de pesquisa da instituição, Felipe Naveca, acredita que todo o trabalho realizado pelos pesquisadores locais será um legado para o futuro.

“Tivemos, logo no início da pandemia, um estudo que mostrou que a cloroquina não era eficaz para o tratamento de doentes com Covid-19. Foi a primeira resposta mundial em relação ao tratamento com o medicamento não ser eficaz, e mostrou que poderia ser até pior. Tivemos ainda um sequenciamento do primeiro genoma da Região Norte aqui na Fiocruz. Identificamos o primeiro caso de reinfecção por P1 no mundo, temos o sequenciamento de mortes de vários municípios do Amazonas e, com isso, fortalecemos muito a vigilância genômica. É um legado que vai ficar para o futuro”, explicou.

Parentes choram durante enterro de vítima da Covid-19 no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, no Amazonas, no dia 22 de janeiro de 2021 — Foto: Marcio James/AFP
Parentes choram durante enterro de vítima da Covid-19 no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, no Amazonas, no dia 22 de janeiro de 2021 — Foto: Marcio James/AFP

O epidemiologista Jesem Orellana, também da Fiocruz, vai além. Ao G1, ele citou outras pesquisas realizadas pela instituição e comentou sobre a proximidade da ciência com a população. Para ele, existe uma barreira entre os dois grupos e que precisa ser quebrada para que as pesquisas possam gerar ainda mais efeitos.

“A Fiocruz tem trabalhos magníficos, como o sequenciamento genômico, um novo protocolo de investigação das variantes ameaçadoras, e outros projetos, como na saúde mental, inquérito sorológico, novos estudos sobre mortalidade, sobre a dinâmica da pandemia, dentre outros. […] Mas nós temos que reconhecer, enquanto cientistas e como pesquisadores, a barreira que existe entre nós e a sociedade. Infelizmente essa mesma barreira em relação aos líderes políticos é uma bem menor. Então eles tem mais facilidade, mais penetração e conseguem levar mais suas ideias para esses grupos, sejam positivas ou negativas”, ressaltou.

Para o infectologista Marcus Lacerda, que comandou um grupo de estudo sobre a eficácia da cloroquina logo na primeira onda da pandemia de Covid-19 em Manaus, o Amazonas é uma referência internacional em pesquisa e isso ficou comprovado com os estudos realizados no estado, sobre o tema.

“A gente tem uma reputação internacional aqui em Manaus que, talvez, seja mais conhecida fora do Brasil do que dentro. É preciso lembrar, por exemplo, que os ensaios pioneiros com drogas para a Covid-19 no país e que aconteceram em Manaus, só foram possíveis porque já havia um grupo de pesquisadores intimamente envolvidos e conseguiram fazer uma pesquisa clínica de qualidade”.

No entanto, nem tudo são flores. Para Orellana, falta gestão. Para Naveca, o problema é a falta de qualificação profissional.

“O que falta é o investimento em pessoas, em atrair pessoas que tenham um currículo mais experiente, que possam ajudar desenvolver as pesquisas. Nós já temos bastante, mas podemos melhorar ainda mais, mandar pessoas para fora, se fortalecerem no estudo”, resumiu Naveca.

E entre os três pesquisadores é consenso que, para superar a pandemia, o único caminho viável é a vacinação em massa da população. “O Amazonas já conseguiu vacinar um número bastante elevado de sua população, mas hoje a dependência para que a cobertura vacinal seja aumentada não é a capacidade de vacinação, mas a nossa capacidade de vacinas”, afirmou Lacerda.

Entre os três pesquisadores, é consenso que, para superar a pandemia, o único caminho viável é a vacinação em massa da população — Foto: Divulgação/Semsa
Entre os três pesquisadores, é consenso que, para superar a pandemia, o único caminho viável é a vacinação em massa da população — Foto: Divulgação/Semsa

Mas, apesar de ter os olhos fixos no futuro e esperança de dias melhores, eles também relatam as perdas pessoais que tiveram e como vai ser difícil para superá-las ao longo do tempo.

“Aqui na Fiocruz várias pessoas perderam parentes próximos. Eu perdi o meu pai. Outros colegas que trabalham comigo diretamente perderam parentes próximos, como pais e mães. A gente conseguiu avançar muito na pesquisa, no fortalecimento de uma estrutura de pesquisa para outros desafios como esse, mas a gente nunca vai esquecer das nossas perdas pessoais”, disse Naveca.

Por fim, para Orellana, a impunidade é o que marca o primeiro ano da pandemia no Amazonas. O epidemiologista também afirmou que espera dias melhores, mas que as medidas tomadas pelos governantes e aceitas pela população, como o negacinismo em relação à ciência, além reabertura precoce do comércio, a expectativa não é das melhores.

“O que nós vimos no estado do Amazonas foi simplesmente uma dupla tragédia que marcou a humanidade. E isso é fruto de má gestão. Ela é fruto de erros estratégicos de planejamento, de avaliação e de implementação de políticas de controle da pandemia. Eu espero que o futuro seja de dias melhores. Espero que a vacinação aumente, que consigamos controlar a pandemia. Mas com esse tipo de medidas tomadas, a expectativa não é das melhores”, concluiu Orellana.

 Movimentação de consumidores no centro de Manaus (AM), após retomada parcial do comércio, neste sábado, 27 de fevereiro de 2021. — Foto: Aguilar Abecassis/Photopress/Estadão Conteúdo
Movimentação de consumidores no centro de Manaus (AM), após retomada parcial do comércio, neste sábado, 27 de fevereiro de 2021. — Foto: Aguilar Abecassis/Photopress/Estadão Conteúdo

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