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Chefe da ONU pede pressão para que golpe em Mianmar fracasse; Facebook é bloqueado no país

Em meio a protestos, acesso a redes sociais foi derrubado. Líder civil que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1991 foi formalmente acusada por ter aparelho de comunicação por rádio em casa.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que fará tudo ao seu alcance para garantir que a comunidade internacional “exerça pressão suficiente” sobre Mianmar para que o golpe de Estado “fracasse”.

“É absolutamente inaceitável mudar os resultados da eleição e a vontade do povo”, afirmou Guterres em entrevista ao jornal “The Washington Post” na quarta-feira (3).

Os militares tomaram o poder e prenderam o presidente do país, Win Myint; a prêmio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi; e outros líderes civis na segunda-feira (1º), causando forte reação da comunidade internacional (exceto China e Rússia).

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também pediu pressão internacional para que militares de Mianmar “renunciem imediatamente”.

Após o golpe, foi declarado estado de emergência de um ano no país e o general Min Aung Hlaing, comandante das Forças Armadas, foi nomeado presidente em exercício.

A Nobel da Paz Suu Kyi foi formalmente acusada por ter um aparelho de comunicação por rádio em casa e, em meio a protestos, os militares derrubaram o acesso ao Facebook e outras redes sociais essenciais para a comunicação dos birmaneses.

O Facebook anunciou que o acesso estava “interrompido para algumas pessoas” e pediu às autoridades do país que restabelecessem a conexão.

A empresa norueguesa Telnor, um dos principais provedores de telecomunicações de Mianmar, confirmou que as autoridades deram ordem para “bloquear temporariamente” o Facebook. “Não acreditamos que esta medida esteja em conformidade com o direito internacional”.

Protestos contra o golpe

Pessoas protestam contra golpe militar do lado fora da Universidade de Medicina de Mandalay, em Mianmar, nesta quinta-feira (4) — Foto: Reuters

Pessoas protestam contra golpe militar do lado fora da Universidade de Medicina de Mandalay, em Mianmar, nesta quinta-feira (4) — Foto: Reuters

Cidadãos de Mianmar seguram foto da líder Aung San Suu Kyi durante protesto contra golpe militar no país, do lado de fora de prédio da ONU em Bangcoc, na Tailândia, na terça-feira (2) — Foto: Reuters/Jorge Silva

Cidadãos de Mianmar seguram foto da líder Aung San Suu Kyi durante protesto contra golpe militar no país, do lado de fora de prédio da ONU em Bangcoc, na Tailândia, na terça-feira (2) — Foto: Reuters/Jorge Silva

O objetivo é evitar que as manifestações ganhem força. Na manhã desta quinta-feira (4), um grupo de manifestantes se reuniu nas ruas de Mandalay, a segunda maior cidade do país, pedindo o retorno à democracia.

Um vídeo publicado no Facebook mostra um grupo reunido em frente à faculdade de Medicina de Mandalay com uma faixa com os dizeres “O povo protesta contra o golpe de Estado”.

Na quarta-feira (3), médicos e profissionais da saúde, que usavam fitas vermelhas em sinal de protesto, anunciaram que se recusariam a trabalhar, exceto em caso de emergência médica.

“Obedeceremos apenas ao governo democraticamente eleito”, disse Aung San Min, diretor de um hospital com 100 leitos na região de Magway, no centro do país, à agência de notícias France Presse.

Funcionários do hospital geral de Yangon se reuniram diante do edifício e fizeram a saudação com três dedos, um gesto de resistência adotado pelos ativistas pró-democracia de Hong Kong e Tailândia.

Também foi criado um grupo chamado Movimento de Desobediência Civil no Facebook, que já tinha 150 mil inscritos antes de a rede social sair do ar. A descrição da página diz que “o Exército deveria ter vergonha” e “os militares são ladrões”.

Profissionais de saúde fazem saudação com 3 dedos na cidade de Yangon na quarta-feira (3) contra golpe militar em Mianmar — Foto: Hnin Yi Win via Reuters

Profissionais de saúde fazem saudação com 3 dedos na cidade de Yangon na quarta-feira (3) contra golpe militar em Mianmar — Foto: Hnin Yi Win via Reuters

Pessoa pisa em foto do general Min Aung Hlaing, responsável pelo golpe militar em Mianmar, durante protesto do lado de fora de prédio da ONU em Bangcoc, na Tailândia, na terça-feira (2) — Foto: Reuters/Jorge Silva

Pessoa pisa em foto do general Min Aung Hlaing, responsável pelo golpe militar em Mianmar, durante protesto do lado de fora de prédio da ONU em Bangcoc, na Tailândia, na terça-feira (2) — Foto: Reuters/Jorge Silva

Na terça-feira (2), moradores protestaram com panelaços e buzinaços em Yangon, capital econômica do país. Muitos gritaram “Viva a Mãe Suu”.

Atos também ocorreram em Rangum e muitos pediram no Facebook que a população se rebelasse contra a tomada do poder pelos militares, atendendo a um pedido de Suu Kyi.

Reunião na ONU

Questionado sobre a acusação contra a Nobel da Paz, por ter um rádio importado em casa, Guterres afirmou que, “se podemos acusá-la de algo, é por ter estado muito próxima dos militares, por tê-los protegido demais”.

“Espero que a democracia possa avançar novamente em Mianmar, mas para isso todos os prisioneiros devem ser libertados e a ordem constitucional deve ser restaurada”, afirmou o secretário-geral da ONU.

Ele também lamentou que o Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu na terça-feira (2) para debater a situação em Mianmar, não tenha chegado a um acordo — China e Rússia bloquearam a aprovação de uma declaração condenando o golpe.

Fonte: G1

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