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Identidade e Esperança em Tempos de Pandemia

Por Mateus William da Silva Doce

O dinamismo da Esperança está presente no mais intrínseco de cada ser humano. A identidade de cada indivíduo se move dentro do constante vir-a-ser, esse processo metafísico se projeta para o futuro e nunca está pronto, com a plena realização definitiva.

Há momentos na vida em que esse dinamismo aflora com maior evidência, principalmente em situações de crise, quando se deseja que o momento presente passe o mais rápido possível e um futuro melhor se descortine em realizações e desfastios.

A história da humanidade reflete os princípios dogmáticos herdado da crença de que o Homem existe para ser livre e feliz, mas tal vontade de viver requer uma luta constante contra o acaso do mundo caótico. Já dizia Schopenhauer que “para a maioria dos homens, a vida não é outra coisa senão um combate perpétuo pela própria existência, que no final será derrotada”.

Antes de falar da atual pandemia, vamos recapitular outras pelas quais passamos. A peste bubônica é uma doença considerada, historicamente, a causadora da Peste Negra, que assolou a Europa no século 14, matando entre 75 milhões e 200 milhões de pessoas na antiga Eurásia. E no total, a praga pode ter reduzido a população mundial de 450 milhões para 350 milhões.

Passamos pela varíola, cuja doença atormentou a humanidade por mais de 3 mil anos. O faraó egípcio Ramsés II, a Rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida “bixiga”. O vírus Orthopoxvírus variolae era transmitido de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias. Felizmente, a varíola foi erradicada do planeta em 1980, após campanha de vacinação em massa.

Passado mais um período (1981) surgiu aí a Gripe Espanhola, acredita-se que entre 40 milhões e 50 milhões de pessoas tenham morrido, causada por um subtipo de vírus influenza. Mais de um quarto da população mundial na época foi infectada e até o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, morreu da doença, em 1919. O vírus veio da Europa, a bordo do navio Demerara. O transatlântico desembarcou passageiros infectados em Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

Tivemos aí a Cólera que na primeira proliferação epidêmica global, em 1817, matou centenas de milhares de pessoas. Desde então, a bactéria Vibrio cholerae sofre diversas mutações e causa novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos e, portanto, ainda é considerada uma pandemia.

Em 2009 surgiu o vírus H1N1, causador da chamada gripe suína, foi o primeiro a gerar uma pandemia no século 21. O vírus surgido em porcos no México e se espalhou rapidamente pelo mundo, matando 16 mil pessoas. No Brasil, o primeiro caso foi confirmado em maio daquele ano e, no fim de junho, 627 pessoas estavam infectadas no país, de acordo com o Ministério da Saúde.

E atualmente estamos vivendo mais uma luta pela sobrevivência, um vírus revelou como a história da humanidade é marcada pela crise de confiança. Hoje são mais de 1 milhão de mortos por covid-19, um vírus que começou no outro lado do continente, na China em 2019, e nas primeiras informações não se poderia imaginar que três meses depois o número de infectados no mundo chegaria a mais de 190 mil, o vírus chegou em todos os continentes – com exceção da Antártica.

No Brasil, as primeiras ações ligadas a pandemia começaram em fevereiro, com a repatriação dos brasileiros que viviam em Wuhan, cidade chinesa epicentro da infecção. No dia 20 de fevereiro o Ministério da Saúde monitora o primeiro caso e nos meses seguintes vimos episódios através da TV que pareciam ser cenas de filmes.

 A situação catastrófica mostrou como a saúde hospitalar é importante, e expôs as dificuldades dos profissionais da saúde que excederam suas forças em trabalhos em 24 horas além das próprias vontades nas muitas das vezes; estávamos despreparados para um cenário da falta de leitos, da frustração da falta de equipamentos necessários, e o pior de tudo, assistir de longe o enterro de nossos falecidos, e mais ainda, pessoas foram enterradas como indigentes.

A economia do país virou um caos, e com o isolamento social muitas pessoas passaram a depender do Auxílio Emergencial. Se antes da pandemia já havia quem olhasse cético para a recuperação econômica do país, que em 2019 avançou 1,1%, agora já não haveria dúvidas de que o país fosse afundar em 2020 e, possivelmente, também em 2021. A incerteza política e econômica impactou o pessimismo de sustentabilidade do país.

Não obstante, a grande frustração desta constante transitoriedade é não oferecer na maior parte das vezes, valores seguros e perenes a nós próprios e ao próximo, e neste tempo de pandemia, dos que ainda tem oportunidade para viver, a oportunidade é para meditar e refletir mais sobre a vida, seu sentido, suas relações, sua meta e seu estado de condição como ser frágil, mas que carrega consigo a marca presente em várias culturas religiosas: a Imagem do Criador.

Diante da fragilidade humana, muitos acabam perdendo seu próprio senso de responsabilidade e com isso se esvai a Esperança junto. “Cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança” nos disse José Saramago. A pessoa humana vive um momento de insaciabilidade das próprias vontades, e o desafio mais uma vez é construir uma nova história e procurar manter a vida que possui, deste que se saiba conhecer seu valor próprio para também valorizar o valor do próximo.

Mateus William da Silva Doce é graduado em Licenciatura em Letras pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), está cursando EAD Pós-Graduação em Letras – Língua Portuguesa e Literatura pela FAVENI, cursa Técnico em Informática pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM), e trabalha como Administrador de Redações do Site Folha de Maués.

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