Economia

Dólar mantém queda e Bolsa oscila com realização de lucros

A Bolsa de Valores brasileira oscilava entre ligeiras altas e pequenas quedas nos primeiros negócios desta sexta-feira (28), sob pressão de investidores que buscavam lucros após alguns dias de ganhos consistentes no mercado de ações. O setor de materiais básicos, porém, exercia influência positiva e evitava uma queda profunda.

Por Clayton Castelani do portal @diarioam.com

Às 11h40, o Ibovespa recuava 0,29%, a 112.288 pontos. Apesar da baixa no dia, o índice de referência da Bolsa ruma para fechar a terceira semana no azul e com um ganho acumulado em 2022 em torno de 7%.

O dólar caía 0,57%, a R$ 5,3940. A divisa americana vem perdendo força frente ao real devido à entrada de capital estrangeiro no país. Investidores internacionais colocam seus dólares no Brasil para aproveitar uma combinação favorável aos lucros, que é composta por alta das commodities, ações baratas e bom retorno com renda fixa devido à taxa básica de juros (Selic) elevada.

Prejuízos com as bolsas dos Estados Unidos também estão estimulando investidores a buscarem ganhos no mercado financeiro brasileiro.

O mercado acionário americano ainda digere as mensagens do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) sobre a expectativa para a elevação dos juros nos próximos meses.

Na última quarta-feira (26), o comitê de política monetária do Fed sinalizou o fim do programa especial de compra de títulos e uma alta dos juros para março. A notícia era esperada, mas a entrevista do presidente da autoridade monetária balançou as ações em Nova York. Jerome Powell adotou um tom duro e, ao mesmo tempo, pouco detalhado sobre a necessidade de elevar juros para combater a maior inflação enfrentada pelos americanos em quatro décadas.

Analistas avaliam a queda do dólar e a alta da Bolsa como um fenômeno momentâneo, que vai durar enquanto estrangeiros estão em busca de ganhos rápidos até a estabilização em Wall Street. Na lógica do mercado global, o aperto monetário nos EUA reduz a liquidez mundial e, por isso, deverá diminuir o fluxo de investimentos internacionais para países de economia emergente, como o Brasil.

“Com o Fed alimentando o fogo hawkish [mais duro no combate às altas de preços], esperamos que o dólar se fortaleça, mas apenas moderadamente”, disseram estrategistas do Citi em relatório desta sexta-feira.

O banco privado americano afirmou que, embora guinadas mais agressivas do Fed geralmente derrubem ativos emergentes, vários países em desenvolvimento têm mostrado “ímpeto contínuo de dados positivos”, o que pode levar a ingressos de recursos.

Além disso, afirmando haver uma performance superior de moedas latino-americanas em relação a pares de mercados emergentes mais amplos no momento, o Citi disse que os investidores parecem estar atentos aos ciclos de aumentos de juros de bancos centrais, que tendem a elevar a atratividade do carrego (retorno por diferenciais de taxas) das divisas locais.

No Brasil, vários agentes do mercado já têm apontado para o patamar elevado da taxa Selic, atualmente em 9,25% ao ano, como fator importante para a queda do dólar.

Além da política monetária, investidores também reagiam nesta sexta-feira a dados mostrando que a taxa de desemprego no Brasil voltou a recuar no trimestre finalizado em novembro, indo ao nível mais baixo desde o início de 2020, de 11,6%.

No mercado de ações nesta manhã, investidores vendiam ações que acumularam altas ao longo da semana. É o caso dos papéis do Magazine Luiza, que cediam 1,52%.

A Braskem disparava 8,41% após Petrobras e Novonor confirmarem o adiamento da venda de suas participações na empresa.

A Vale e a CSN subiam 1,18% e 1,72%, respectivamente, impulsionadas por fortes altas nos contratos do minério de ferro exportado para a China.

A Petrobras subia 0,47%. A estatal vem acumulando altas na esteira da valorização do petróleo devido à crise envolvendo a Rússia, um dos principais produtores globais, e a Ucrânia.

O barril do Brent subia 1,75%, a US$ 90,90 (R$ 489,09). A cotação da commodity está no patamar mais elevado desde 2014.

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