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Por que os preços dos alimentos no interior do AM são tão altos?

Economista explica variação no preço do interior e ajuda a entender como os amazonenses que não moram na capital estão sendo afetados durante a crise econômica gerada pela pandemia

Antes mesmo da crise econômica gerada pela pandemia de coronavírus, regiões mais distantes do Brasil já sofriam a visível (e histórica) diferença de preço entre produtos adquiridos em uma cidade pequena e em uma capital. Mas você sabe por que existe esse fenômeno da economia e o que mudou na pandemia? É possível alterar essa realidade? Para responder a essas e outras perguntas, o EM TEMPO viajou a três municípios do interior do Amazonas e  entrevistou populares e especialistas.

Alimentos registram alta durante a pandemia, mas já não eram baratos | Foto: (Arquivo/Agência Brasil)

“Você compra uma mercadoria hoje e amanhã já é de outro preço” resume um comerciante idoso do município de Coari, distante 363 quilômetros de Manaus. Ele preferiu não se identificar, mas deu detalhes sobre como é trabalhar com o comércio no interior do Amazonas há sete anos.

“Tudo já costumava ser mais caro porque a gente está longe da capital. E aqui as nossas compras são básicas, sai mais o frango, o arroz, o feijão. Uma alimentação simples mesmo”, diz o idoso dono de uma pequena mercearia.

A alta histórica do preços

Seja R$4 ou R$ 10 mais caro, os alimentos vendidos no interior do Amazonas costumam ser mais caros em comparação aos vendidos na capital. O motivo, segundo o economista Osíris Silva, é a clássica lei da oferta e procura.

“Os preços dos produtos variam de acordo com a quantidade de pessoas que procuram por eles e também dependem do quanto se tem no estoque. É isso o que acontece no interior do Estado. Você não tem uma produção suficiente, com algumas exceções, o que leva aqueles produtos a serem importados de Manaus. E só o percurso de uma cidade para a outra já modifica o valor final da compra”, explica o especialista.

Para o economista, os preços dos alimentos nos municípios tendem a sempre serem mais altos, por conta desse desbalanço. A solução, segundo ele, seria produzir mais desses itens, para assim evitar a importação e poder suprir as demandas. 

“Essa situação é a mesma de 100 anos atrás. Os amazonenses do interior são uma população simples, que vive com uma dieta alimentar muito frugal, que é o peixe, a galinha que cria no quintal, a verdura, o cheiro-verde e outras hortaliças. O nível de consumo deles tá muito restrito aquele essencial do dia a dia, arroz, pão, feijão, então essas coisas vão dando um nível de simplicidade que é a principal característica. Não é que preferem os naturais, eles não tem alternativa”, comenta Silva.

Do @portalemtempo.com*

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