Amazonas Economia

Para sair da crise, Amazonas precisará diversificar matriz econômica

Representantes do setor econômico acreditam que o próximo governante do estado, que será eleito em 2022, deverá apresentar um planejamento para a retomada da economia, focando na diversificação da matriz econômica

EM.TEMPO – Diante do cenário crítico que a pandemia da Covid-19 criou no Amazonas, o setor econômico foi um dos mais afetados. Deixando a situação ainda mais complicada, uma cheia histórica está acontecendo no estado este ano. Para lidar com as dificuldades, representantes do segmento e economistas afirmam que criar alternativas para diversificar as fontes econômicas é uma das saídas para a crise.

Para eles, o próximo governante do estado, que logo será eleito em 2022, deve apresentar um planejamento estratégico para a retomada da economia. 

Com o lento processo de recuperação dos principais setores econômicos no Amazonas – indústria, comércio e serviços – representantes da economia acreditam que o próximo governador do estado deverá contar com um plano específico para cada um dos segmentos, buscando resolver problemas estruturais, que ficaram mais evidentes durante a crise ocasionada pela pandemia. Segundo economistas, diversificar a matriz econômica amazonense é uma das alternativas. 

A indústria regional, mesmo apresentando crescimento de 7,8% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sofreu com diversas quedas consecutivas durante o ano de 2020.

A indústria regional sofreu com diversas quedas consecutivas durante o ano de 2020
A indústria regional sofreu com diversas quedas consecutivas durante o ano de 2020 | Foto: Arquivo EM TEMPO

Por isso, segundo o presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, quem assumir o comando do estado deverá ter uma atenção especial voltada ao setor.

Silva acredita que o próximo ano será de recuperação econômica, perante a fase de conclusão da vacinação. De acordo com ele, as indústrias precisarão de apoio, principalmente por meio de estímulos, para impulsionar as atividades produtivas.

“Iniciativas como a extensão da vigência dos programas emergenciais de financiamento, o parcelamento dos pagamentos de tributos adiados, a manutenção da política de expansão do crédito e redução do custo do financiamento serão essenciais. [Assim como] a prorrogação da atual política de incentivos fiscais, que finda em 2023. O incentivo relativo ao ICMS é primordial para a sustentação da competitividade das indústrias aqui instaladas”, direciona Silva, ao falar das necessidades do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Comércio

O comércio tradicional no estado já estava sofrendo com as consequências da pandemia, com a intensificação da cheia do Rio Negro a situação se agravou para os comerciantes. A maioria sofreu com perdas significativas no estoque de mercadorias e muitos ficaram impossibilitados de vender os produtos que restaram pela falta de acesso aos estabelecimentos.

O comércio tradicional já estava sofrendo com as consequências da pandemia, com a cheia a situação se agravou
O comércio tradicional já estava sofrendo com as consequências da pandemia, com a cheia a situação se agravou | Foto: Divulgação

Os dados mais recentes da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) demonstram que o volume de vendas do comércio varejista no Amazonas cresceu 14,2% em fevereiro. Contudo, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o desempenho caiu 16,9%  – ainda sofrendo os efeitos da crise. 

Mesmo com os obstáculos, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, está otimista em relação a retomada do segmento no segundo semestre deste ano. Para ele, o melhor período de vendas deve ser nesse momento, pois as chuvas devem cessar no estado. 

Frota relembra que, desde o início da pandemia – em março de 2020 – até o mesmo período em 2021, o comércio ficou de portas abertas apenas durante seis meses, perdendo boa parte do faturamento. Ainda assim, o representante espera que o setor entre em um processo de retomada até o final deste ano. 

Com o setor comercial fechado por tanto tempo, o número de desempregados aumentou intensamente. De janeiro a março deste ano, 17,5% da população estava desempregada no Amazonas, ou seja, 53 mil pessoas buscavam emprego, mas não encontravam, conforme levantamento mais recente do IBGE.

Com o setor comercial fechado por tanto tempo, o número de desempregados aumentou no AM
Com o setor comercial fechado por tanto tempo, o número de desempregados aumentou no AM | Foto: Divulgação

“Se não houver nenhum agravamento nas estatísticas da Covid-19, vamos ter um ano relativamente bom, porque será exatamente o em que a economia irá entrar em processo de recuperação. Por outro lado, teremos o ano eleitoral, sendo complicado, pois as obras param e todos os recursos são canalizados para esse processo. Por esse motivo, alguns setores até crescem, mas a maioria não apresenta avanço satisfatório”, analisa Frota.

Diversificação da economia

Segundo o cientista político Carlos Santiago, a pandemia e a cheia devem trazer uma reflexão ao eleitorado amazonense sobre as próximas escolhas dos gestores.

“Um governador confiável, competente e com experiência, pode promover um governo dinâmico que busque o desenvolvimento econômico e social a partir de investimentos governamentais e de investidores externos, através da parceria com a iniciativa privada e da interação também com o Governo Federal, além da aproximação maior com o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM)”, exemplifica Santiago.

Para o segmento de serviços, Santiago afirma que o setor público deve diminuir a burocratização, atraindo novos investimentos e melhorando os serviços oferecidos aos amazonenses no âmbito educacional, de saúde, transporte, saneamento básico, entre outros.

O setor terciário do Amazonas, conforme mostra o IBGE, cresceu 0,8% em março, em comparação com mês anterior deste ano, com alta de 1,5%. Porém, assim como a indústria e o comércio, o setor apresenta crescimento lento.

De acordo com o cientista político, fortalecer a estrutura econômica existente no estado é fazer o básico, porque o necessário, após a crise, é ir além e estimular novas atividades econômicas – como a piscicultura, a fruticultura, a mineração e o turismo. “Embora o Amazonas tenha uma enorme riqueza material, a pobreza e as enchentes só cresceram na pandemia”, considera Santiago.

Estimular novas atividades econômicas, como o turismo, é uma das opções para a recuperação
Estimular novas atividades econômicas, como o turismo, é uma das opções para a recuperação | Foto: Arquivo EM TEMPO

Pensamento semelhante sobre explorar as potencialidades da região como uma alternativa para reestabelecer a economia tem o cientista político Helso do Carmo. Todavia, para ele, de forma mais profunda, todo o propósito deve ser em prol de recuperar a qualidade de vida dos amazonenses. “”, destaca Carmo.

O Amazonas é uma região rica, mas tem desigualdades ímpares. […] Os desafios são de médio e longo prazo, mas é necessário minimizar a baixa do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no estado, que se encontra em 15º lugar no país

Helso do Carmo, cientista político

Desafio logístico

Para o presidente do Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas (Sindecon-AM), Marcus Evangelista, além de lidar com todos os problemas gerados pela crise e com as dificuldades de um cenário pós-cheia, o novo governador do estado deverá enfrentar as adversidades do isolamento geográfico, evidenciando o desafio logístico na região.

Ele precisará entender que o nosso estado está isolado geograficamente e que deverá fazer estoque dos itens críticos. Na questão econômica, precisa ter proatividade para uma rápida resposta diante das instabilidades, de maneira que possa ajudar as empresas a manterem suas portas abertas com a possibilidade do acesso ao crédito

Marcus Evangelista, Economista

O novo governador do estado deverá enfrentar as adversidades do isolamento geográfico
O novo governador do estado deverá enfrentar as adversidades do isolamento geográfico | Foto: Arquivo EM TEMPO

Além disso, o economista também concorda que diversificar a economia é uma saída acessível para o Amazonas. “Nós temos que desenvolver outras matrizes econômicas no estado em caráter de urgência. Devemos proteger o nosso modelo industrial, mas não podemos ser totalmente dependentes dele”, salienta. 

Segundo o economista Wallace Meirelles, as políticas conjunturais são opções para estimular a economia. Principalmente através da capacidade empreendedora, com a criação de programas e tecnologias para os empreendimentos. “É preciso criar e programar infraestruturas, porque o Amazonas tem problemas terríveis nessa área”, pontua.

Meirelles também destaca que o novo governador deve, desde o início, apresentar um plano estadual em conjunto com os municípios, a fim de explorar as cadeias produtivas de cada região interiorana. “O governante deve ter noção da cadeia logística. É uma necessidade de anos e que não foi resolvida até hoje. Continuamos com uma economia concentrada, paupérrima e totalmente dependente da ZFM”, critica.

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