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Expectativa de vida no Amazonas diminui com a pandemia, diz estudo

A expectativa de vida no Amazonas, que deveria chegar a 73 anos em 2020, ficou em 69,5

Por Hector Silva

PORTAL.EM.TEMPO – Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, estima que no Amazonas, atingido com voracidade pela pandemia que mergulhou o estado no caos e matou mais de 5 mil pessoas em 2020, a retração na esperança de vida foi ainda mais grave. A expectativa de vida, que deveria chegar a 73 anos em 2020, ficou em 69,5. A mortalidade da Covid-19 fez o estado perder, em apenas um ano, 60% do avanço na expectativa de vida conquistado nas últimas duas décadas.

Em algumas unidades da federação o retrocesso foi ainda maior: além do Amazonas, Distrito Federal, Amapá, Roraima e Espírito Santo tiveram redução de mais de três anos na esperança de vida ao nascer.

Na opinião do reitor da Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI), Euler Ribeiro, o alto número de mortes dos amazonenses com idade entre 30 e 40 anos fez com que a pesquisa chegasse a esse resultado. “O que acontece é que os mais novos, por volta dos 30 anos de idade, estão morrendo tão quanto os mais velhos com essa pandemia”.

A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) mostrou, por meio de dados em fevereiro deste ano, que a ocorrência de mortes na faixa etária de 20 a 59 anos nesta segunda onda da pandemia de Covid-19 no Amazonas, teve um aumento de 95,6% em comparação com o primeiro pico da pandemia em 2020.

“É a faixa etária economicamente ativa e essa parcela da população precisa ficar mais atenta em relação às medidas de prevenção. Provavelmente já é resultado da falta de adoção de algumas medidas. A gente percebeu um relaxamento natural das pessoas, principalmente no final de ano”, afirmou Cristiano Fernandes, diretor-presidente interino da FVS, na live feita pela fundação pública, em fevereiro deste ano.

‘Pessoas não levam a sério a doença’

Na opinião do reitor da FUnAti, alguns amazonenses não estão levando a pandemia a sério. “Essa semana um barco que sairia de Manaus com destino a algumas praias próximas foi impedido de continuar viagem e estava com muitos jovens”, recordou.

As análises demográficas da pesquisa possuem três pilares: nascimentos, óbitos e migração. O terceiro componente só pode ser medido pelo Censo. Sem os dados de migração, não é possível saber se nessas cidades chegaram mais pessoas do que saíram e se a população de cada município está, de fato, diminuindo.

Em nota ao EM TEMPO, o IBGE no Amazonas destacou que essa pesquisa não será comparada ao estudo da entidade, pois a do IBGE utiliza os dados do registro civil e esses dados só são divulgados com um ano de “atraso”. 

A nível nacional a pesquisa apontou uma queda de esperança de vida de 77 para 75 anos. “Nossa estimativa ainda foi extremamente conservadora”, explica a demógrafa Marcia Castro, chefe do departamento de Saúde Global e População da Universidade de Harvard e líder do estudo da revista Piauí.

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