Amazonas Economia

Em meio à pandemia, Amazonas tem mais de 1,4 milhão de inadimplentes

A capital do estado, Manaus, ocupa a quarta posição no ranking nacional de inadimplência, com mais de 1 milhão de devedores

Por Bianca Fantim

PORTAL.EM.TEMPO – Por conta da crise financeira ocasionada pela pandemia da Covid-19, os amazonenses acabaram endividados. Atualmente, no estado, existem mais de 1,4 milhão de inadimplentes, enquanto a capital – Manaus – se encontra na quarta posição no ranking nacional de inadimplência. Os dados foram levantados pelo Serasa e demonstram que os populares não estão conseguindo pagar suas contas em dia desde o início da pandemia. 

Esse dado de mais de 1,4 milhão de devedores equivale a quase metade da população do estado. Além disso, de acordo com o órgão, a média da dívida do amazonense também é alta. Enquanto no restante do país o montante é de R$ 3,9 mil, no estado, a média gira em torno de R$ 4.033. O Amazonas ocupa o décimo terceiro lugar no ranking de inadimplência brasileiro. 

Um dos que passa por essa complicada situação em Manaus é Mário Augusto Quadros, 53. Trabalhador industrial na Zona Franca de Manaus (ZFM) por 15 anos, ele foi demitido em junho de 2020, logo nos primeiros meses da crise pandêmica. Desde então, o ex-funcionário não consegue manter suas contas em dia, acumulando algumas dívidas. 

“Eu já tinha uma dívida quando fui desligado da empresa em que trabalhava, por conta da pandemia. Tinha feito até um empréstimo recente, porque minha mulher tinha ficado desempregada em 2019. Já estava finalizando o pagamento dela e de uma outra no cartão que pagava por mês, mas com a saída deixei ambas atrasarem e meu nome ficou sujo”, relata Mário. 

O industriário acredita que a única forma de regularizar a situação é conseguindo um novo emprego, pois em sua atual condição financeira não terá como. “Acredito que assim que houver uma oportunidade de emprego, consigo quitar minhas dívidas. Mas sei que agora não consigo fazer isso”, salienta.

Em fevereiro deste ano o número chegou a cair para aproximadamente 1.470.000, porém continua sendo um dos mais altos
Em fevereiro deste ano o número chegou a cair para aproximadamente 1.470.000, porém continua sendo um dos mais altos | Foto: Divulgação

O economista Ailson Rezende afirma que a população manauara e amazonense sempre contou com um alto nível de devedores, mas a pandemia contribuiu para um aumento exponencial, considerando principalmente o fechamento parcial ou total de alguns empreendimentos.

Além disso, o Polo Industrial de Manaus (PIM) também foi responsável por diversas demissões ao ser impactado duramente pela pandemia.

“O grande gerador de renda do Amazonas é o PIM. Seus segmentos industriais foram afetados pela pandemia, reduzindo jornadas de trabalho e consequentemente ocasionando na diminuição dos salários. Em alguns setores da economia, principalmente no de serviços, houve muitas demissões. Deixando o manauara sem recursos suficientes para pagar as contas e se manter”, esclarece o economista.

Rezende acredita que o Auxílio Emergencial, disponibilizado pelo governo federal até dezembro de 2020, foi essencial para a manutenção da economia familiar no estado, mas não foi o suficiente.

“Diante do novo cenário, não havia muito o que fazer. A participação federal concedendo o auxílio foi de suma importância para a manutenção das famílias mais carentes e dos profissionais autônomos. Mas o valor do benefício não foi suficiente para pagar as contas de consumo, as dívidas e fazer a manutenção das casas ao mesmo tempo”, expõe.

Endividamento

A gerente do Serasa, Nathalia Dirani, conta que o mês com maior índice de inadimplência no Amazonas foi março de 2020, com 1.510.000 inadimplentes. Em fevereiro deste ano o número chegou a cair para aproximadamente 1.470.000, porém continua sendo um dos mais altos para o estado.

“Estamos percebendo uma redução e vários fatores podem ter contribuído para isso, como o próprio Serasa – que ajuda milhões de brasileiros a negociar suas dívidas. Contudo, os números seguem alarmantes em um cenário de pandemia”, afirma.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu de 24,8% em janeiro para 24,5% em fevereiro em 2021, e chegou ao menor patamar desde o início da pandemia. Entretanto, o número continua maior que o de fevereiro do ano passado (24,1%), demonstrando que a crise financeira continua afetando a população. 

Planejamento pode ajudar

O economista Rezende acredita que, para que a população possa se manter sem mais dificuldades e sem políticas públicas mais específicas de auxílio, é necessário fazer uma série de redução de gastos – priorizando o que é realmente necessário. “Para diminuir as dívidas, a população deve se planejar, reduzir gastos e fazer economia nas contas de consumo. Fazer lista de compras, priorizando os produtos essenciais, evitando desperdícios de água, luz e reduzindo os serviços não prioritários – como TV por assinatura – entre outros”, explica. 

O profissional afirma que, no momento de crise financeira, o planejamento é o mais importante. “Em tempos de crise, com ou sem pandemia, a palavra-chave é planejamento. O que só pode ocorrer a partir da organização e da disciplina da família”, finaliza. 

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