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No Amazonas, mais de 160 mil mulheres são empreendedoras

Das 160.495 empreendedoras, 53% assumem as responsabilidades financeiras como chefes de família

PORTAL.EM.TEMPO – Apesar do sonho de empreender, muitas mulheres acabam se tornando donas do próprio negócio por necessidade. No Amazonas, 160.495 mil mulheres são empreendedoras e, destas, 53% assumem as responsabilidades financeiras como chefes de domicílio, segundo dados analisados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Neste Dia Internacional da Mulher, você irá conhecer histórias de mulheres que driblaram a crise econômica apostando em seus empreendimentos.  

Com o intuito de analisar o perfil da mulher empreendedora no país, a pesquisa nacional do Sebrae traz detalhes de cada região, com informações que correspondem ao terceiro trimestre de 2020. Só no Amazonas, das mais de 160 mil pequenas empresárias, 77% recebem até um salário mínimo, 61% possuem até 44 anos, 38% trabalham mais de 40 horas por semana, 31% possuem o negócio há menos de dois anos e só 10% contribuem com a previdência.

Empresária e mãe

Uma dessas mulheres é  Janaina Karla Lira, 36. Proprietária de uma loja virtual de vestuário masculino em Manaus, ao lado do marido, que está desempregado há dois anos, ela decidiu mudar de vida e abrir seu negócio próprio em janeiro deste ano. As vendas são realizadas online, por meio das redes sociais do casal. 

A ideia de investir em um negócio familiar surgiu quando a amazonense recebeu o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ao se desligar do último emprego. Com experiência em gerenciamento de mídias sociais, uma das funções que exercia no antigo trabalho, Janaina utilizou suas habilidades e seu conhecimento para atrair clientes, enquanto o esposo ficou responsável pelas entregas por toda Manaus. 

Para Janaina, o maior desafio continua sendo fidelizar a clientela, já que existe competitividade nesse mercado. No entanto, empreender traz benefícios e se encaixa no momento em que vive, com um filho de dois anos para criar. “Uma das vantagens de trabalhar em home office, com ferramentas online, é poder conciliar a carreira como empreendedora e a maternidade em casa, principalmente por conta da pandemia”, reconhece.

Atualmente, a manauara divide as despesas com o esposo e conta que, apesar de ser iniciante, possui vontade e determinação para crescer e se sustentar apenas com o próprio negócio. Janaina também explica que não possuir um patrão é outro privilégio, pois assim tem a liberdade de escolher seu horário de trabalho e a forma como acha melhor manter seu empreendimento. 

Negócios em família

No ramo alimentício, quem atua com entregas e não possui estabelecimento físico conseguiu driblar a crise econômica ocasionada pela pandemia por meio do sistema de delivery. Proprietárias de um empreendimento no segmento, Thaís Campos, 32, e Thallyne Campos, 25, fazem tortas, empadões, quiches e cheesecakes há dez meses para vender na capital amazonense.

Com o sonho antigo de empreender, as irmãs aproveitaram o período de dificuldade para se unir e montar um pequeno negócio no ramo da culinária. No início, Thaís começou fabricando e vendendo empadão. Antes disso, ela vendia roupas e Thallyne atuava como advogada. Com o isolamento social em 2020, as duas abraçaram a ideia e foram à luta.

A paixão de Thaís em cozinhar contribuiu para o sucesso do empreendimento
A paixão de Thaís em cozinhar contribuiu para o sucesso do empreendimento | Foto: Divulgação

Segundo Thaís, sua paixão pela cozinha ajudou no momento de necessidade. “Juntei o útil ao agradável, pois sempre gostei de cozinhar. E os empadões começaram a fazer sucesso, graças a Deus. O famoso ‘boca a boca’ nos fez crescer bastante. Criamos uma conta no Instagram e, então, minha irmã e eu resolvemos ser sócias nesse negócio”, revela.

O resultado positivo nas vendas contribuiu para as despesas da casa e permitiu que ambas pudessem investir cada vez mais no empreendimento. Ainda assim, existem desafios diários para manter o sucesso, levando em consideração que, segundo Thaís, é preciso dedicação e paciência para lidar com a clientela e com os cuidados em relação as comidas. “Eu sempre soube que não seria fácil, mas é um prazer enorme empreender em algo que tanto amamos. O segredo é não desistir”, aconselha.

Na foto, as irmãs Thaís Campos, 32, e Thallyne Campos, 25
Na foto, as irmãs Thaís Campos, 32, e Thallyne Campos, 25 | Foto: Divulgação

O medo de empreender

Outra empreendedora do ramo é Amarilda Coelho, 46, moradora do município de Iranduba, a cerca de 40 quilômetros de Manaus. Após se desligar da empresa onde atuava como motorista e não encontrar novas oportunidades, em decorrência da crise gerada pela Covid-19, Amarilda descobriu na culinária uma alternativa para obter retorno financeiro.

Com experiência na cozinha, ela transformou a produção de bolos caseiros para encomendas em sua principal fonte de renda. O negócio já tem quase um ano e se iniciou quando os primeiros casos do novo coronavírus se deram no estado. A partir disso, a necessidade converteu-se em satisfação e hoje a empreendedora possui uma rede de fregueses satisfatória.

Com o sucesso, a boleira orienta outras mulheres amazonenses ao afirmar que, para montar um empreendimento, é preciso enfrentar o medo do desemprego, de fazer o investimento inicial e de identificar o público-alvo do negócio, acreditando que os resultados positivos serão possíveis. 

Para driblar a crise econômica ocasionada pela pandemia, mulheres amazonenses buscaram investir em seus negócios próprios
Para driblar a crise econômica ocasionada pela pandemia, mulheres amazonenses buscaram investir em seus negócios próprios | Foto: Mara Magalhães

Nesse sentido, Amarilda revela as regalias que uma empreendedora pode ter ao ser dona de seu próprio negócio. “Consigo conciliar melhor meus horários, com tempo para o trabalho e para a minha família. O bom também é trabalhar com o que gostamos. Gosto de receber o ‘feedback’ dos meus clientes sobre os bolos, é bem prazeroso. Meu negócio ainda é pequeno, mas penso em crescer cada vez mais. É um desafio, mas como gosto, estou seguindo em frente”, informa.

Para driblar a crise

Segundo o economista Origenes Martins, para ter êxito no mercado, a definição do público e do produto são fundamentais e precisam ser estabelecidos logo no início. O mercado da alimentação, de acordo com o profissional, é um dos mais procurados para enfrentar momentos de crise, por trazer um retorno financeiro mais rápido.  

Martins esclarece que, nesse sentido, empreender é uma ótima estratégia para driblar crises econômicas, contudo é preciso encontrar um produto que não apresente muita concorrência e que, mesmo que já exista no mercado, possa contar com um diferencial para atrair o cliente e, assim, até iniciar um mercado específico com grandes possibilidades de lucro e expansão. 

Capacitação

De acordo a analista sênior do Sebrae-AM e especialista em empreendedorismo feminino, Maria Cione, as mulheres empreendedoras contribuem para um ambiente mais capacitado, justamente por valorizarem mais a educação de suas famílias. Dessa forma, a preocupação em contribuir reverbera em um impacto positivo para a economia local.

Apesar das habilidades já adquiridas, a analista revela ser imprescindível a capacitação profissional antes de abrir um negócio. Neste ponto, o Sebrae tem desenvolvido projetos para ajudar empreendedoras a seguirem com propriedade, evitando erros e acertando mais em cada passo do processo.

“O projeto ‘Sebrae Delas – AM’ surge com uma força necessária para a contribuição nesse engajamento de oportunidades que precisam ser oferecidas. As mulheres são uma força geradora, por isso, conquistam espaços e lutam para concretizar sonhos por meio da realização de seus negócios”, salienta Cione.

O projeto será lançado neste domingo (7), com ações específicas para mulheres, como capacitações, consultorias, whokshops, mentorias, entres outras atividades. Segundo Cione, o empreendedorismo feminino surge como alternativa sustentável para as famílias amazonenses, e o projeto como uma oportunidade de capacitação e mentoria nos negócios. Para saber mais sobre o Sebrae Delas, clique aqui.

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