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Projeto, persistência e superação: como se desenvolve a luta olímpica no interior do Amazonas?

Esportes – Acrítica

Luta Olímpica

Conheça a trajetória dos atletas de luta olímpica no interior do Amazonas e como a modalidade é massificada e desenvolvida nos lugares mais distantes do estado 24/02/2019 às 15:52

Camila Leonel Manaus (AM)

Por terra, água e ar, atletas de diversas partes do Amazonas vieram a Manaus no dia 16 de fevereiro, para disputar o Campeonato Amazonense de Luta Olímpica, na Vila Olímpica. A competição que serviu como Seletiva para o Campeonato Brasileiro e é o primeiro passo para a realização do sonho de vários atletas que se dedicaram para integrar a Seleção Júnior e Cadete.

Benjamin Constant

A delegação de Benjamin Constant (a 1.119km de Manaus) chegou de barco na quinta-feira com 10 atletas, outros três vieram a Manaus por conta própria um mês antes para treinar na Vila Olímpica, um deles é Gabriel Bindá, de 17 anos, que disputou a categoria até 97kg. O jovem que até oito meses atrás lutava jiu-jitsu foi convidado para a luta olímpica. Pegou tanto gosto pela modalidade que evoluir se tornou um objetivo urgente.

“Vir para Manaus foi um plano de treino que eu tive eu e os meus parceiros que vieram também. Eu vim em busca de aperfeiçoamento de técnica até porque eu tenho poucos meses de luta e tenho que melhorar muitas coisas”, disse o adolescente que treinou com o técnico Waldeci Silva em três períodos. “Nos primeiros dias eu estranhei porque estava sem preparo, mas depois fui melhorando”, completa. A dedicação nos treinos deu certo, ele foi ouro na categoria dele e se credencia para a competição no Rio de Janeiro. Assim, ele segue os mesmos passos dos colegas Marlessandro Maia e Alessandro Almeida, que no ano passado medalharam no Brasileiro. “Eu comecei na mesma época que eles foram para o Rio e foi uma motivação. Pensei que se eles chegaram eu poderia chegar”, explicou.

 Caminho para Gabriel e outros jovens chegarem começou há pouco mais de um ano com o projeto Bom de Luta. De acordo com o professor Jhonny Franco, ele é firmado em parceria com a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura que atende 250 crianças e adolescentes entre cinco e 17 anos em situação de vulnerabilidade social. “Estamos tendo um crescimento importante na cidade e o principal motivo que atrai a atenção dos jovens é a resposta que nós demos. Chegamos aqui e fomos campeões, temos o Marlessandro, que foi ouro no Brasileiro, o Alessandro, que foi bronze, então as crianças começam a sonhar em ser um campeão”, explica. Este é o segundo estadual que Jhonny traz os alunos do projeto. “Ano passado foi a primeira vez e viemos pela experiência, esse ano, fizemos as seletivas, tivemos treinos específicos antes de vir para Manaus”.

 Atalaia do Norte

O Bom de Luta também existe em  Atalaia do Norte (1.136km de Manaus) e é comandado pelo técnico cubano Nelson Calistre. Iniciado em 2016, o técnico assumiu os trabalhos em 2017. Hoje ele treina 80 crianças entre 7 e 12 anos. “Fazemos um trabalho em escolas estaduais e municipais. Participamos do Campeonato Amazonense pela primeira vez em fevereiro de 2018”, relembra. Para o Amazonense, o objetivo era mandar 14 atletas, mas por falta de apoio com as passagens apenas Francisco Saimon,10, veio a Manaus competir. Isso aconteceu porque a mãe dele mora em Manaus. Assim, o pai do garoto mandou o filho para lutar.  “É bom representar minha cidade e os meus colegas”, comentou. Mesmo com a frustração de não mandar uma delegação para o Amazonense, o professor segue trabalhando para os Jogos Escolares do Amazonas (Jeas).

Maués

 

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Único representante de Maués (259km de Manaus) Janilson Júnior (categoria 79kg) conseguiu vir para Manaus com meios próprios e faturou ouro. “Vim sozinho com minha força de vontade para levar esse título”, disse. Ele começou a lutar há sete meses e já foi campeão dos Jogos Escolares do Amazonas. Para fazer bonito no estadual ele chegou a Manaus uma semana antes da competição. O pai do atleta mora no Parque São Pedro e foi lá que ele se hospedou no tempo que treinou na Vila. “Estar aqui representa muita coisa. Muitos jovens do meu município queriam estar no meu lugar. Eu consegui vir e vou honrar essa oportunidade e levar o nome da minha cidade para fora”.

O projeto que Janilson faz parte é o Ganhando Vidas Através do Esporte, do professor Raone Silva, que existe desde março de 2018 e é composto por 60 crianças de 5 a 17 anos. “Trabalhamos por conta própria, não temos apoio do poder público. Isso até dificultou para mandar delegação já que trabalhamos com crianças carentes. O projeto funciona na academia ao lado de casa. Não pagamos aluguel porque minha mãe deu o espaço para construir a academia”, explica o professor que pretendia mandar sete atletas para o Amazonense porém a frustração deu lugar à felicidade pela conquista de Janilson.

“Antes dele vir, conversei com ele pra ele ir na fé, correr atrás dos sonhos dele e que daria tudo certo. E está dando resultado. Estou super feliz por ele e espero que ele consiga ir bem mais longe e realizar os sonhos dele já que é um garoto dedicado. Os alunos do projeto também ficaram muito felizes por ele e satisfeitos de ver que nós temos capacidade de sermos campeões e assim como o Janilson temos outros jovens muito bons aqui e prontos para ser campeões”, completou.

Novo Airão

Em Novo Airão (a 193km de Manaus), o professor Jhone Max começou um projeto por conta própria em setembro de 2018 e corre atrás de apoio para os 25 alunos entre 10 e 22 anos que treinam luta olímpica no município. “Em Novo Airão a ideia foi minha de fechar a parceria com o professor Waldeci, presidente da Federação de luta olímpica e agora estamos tentando falar com a prefeitura. Começamos engatinhando sozinho com o suporte apenas do professor Waldeci e do professor Anderson”, diz o professor Max, que explica de onde veio o sonho para começar o projeto.

“Sempre tive vontade de participar da luta olímpica, mas não tive oportunidade ai busquei realizar meu sonho treinando os meninos. Tinha uma equipe de jiu-jitsu e migramos pra luta olímpica”, explica Max. A equipe treina em tatames de jiu-jitsu e não no tapete de luta olímpica, o professor diz que ainda tenta viabilizar a obtenção do tapete para o projeto no município. Enquanto isso há um trabalho de adaptação em relação ao piso. Alguns atletas experimentaram lutar na lona pela primeira vez só quando competiram na Vila “Estou esperançoso que vai dar certo”, disse.

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