Brasil

Marinha lança míssil antinavio e coloca Brasil entre potências no setor

Batizado de Mansup, aparato foi desenvolvido durante dez anos e custou 380 milhões de reais; país deve iniciar exportação

Da Revista Veja

Por Estadão Conteúdo

access_time 29 dez 2018, 13h55 – Publicado em 29 dez 2018, 13h53

Míssil Antinavio Nacional de Superfície MANSUP sendo lançado a partir da Corveta Barroso (Marinha do Brasil/Divulgação)

Há cerca de um mês, a Marinha do Brasil lançou pela primeira vez o Mansup, míssil nacional antinavio de longo alcance. O teste, considerado um sucesso, foi realizado a 300 quilômetros do litoral sul do Rio de Janeiro.

O equipamento, que está nos planos da Marinha para a exportação, coloca o país em um seleto grupo de apenas dez nações no mundo com esse desenvolvimento tecnológico no setor, como Estados Unidos, Rússia e China. A tecnologia brasileira foi inspirada na francesa, parceira das Forças Armadas.

Disparado a partir da corveta, o míssil, que mede 5,7 metros e pesa 860 quilos, voou a 1.000 km/hora bem próximo da superfície, acompanhando o movimento da água do mar. Caiu no ponto central das coordenadas programadas. Havia um alvo, o casco do G-27 Marajó, um navio-tanque de 13.000 toneladas, desativado há dois anos. Era só uma referência na operação. Não houve explosão.

O programa de desenvolvimento começou há apenas dez anos. Até agora consumiu 380 milhões de reais. No dia do ensaio, uma zona de exclusão com o dobro de extensão do alcance máximo do míssil fora declarada com vários dias de antecedência para garantir ausência de tráfego marítimo durante a prova.

A bordo, na sala do controle de fogo, a tripulação seguiu os protocolos de uma situação real. Iluminação reduzida, proteção extra, times completos. No “zero’”da contagem de disparo, apenas uma palavra, “Mansup!”, seguida da abertura do tubo de lançamento e do rugido do motor primário.

O Mansup funciona em duas fases: um acelerador, o “booster”, dinamiza a etapa do ganho inicial de velocidade por poucos e intensos segundos até que entre em ação o propulsor principal. A navegação e o direcionamento são estabelecidos por meio de uma caixa de guiagem inercial, com radar interno ativo na etapa final da trajetória para afinar a precisão em relação ao objetivo. O míssil não é de cruzeiro, busca um alvo marcado, ou seja, não faz navegação própria até o impacto. Todavia, há pesquisas em andamento nos EUA e na China para permitir alguma capacidade desse gênero aos modelos Harpoon e Dragão de Seda, expandindo as possibilidades de emprego.

A Marinha pretende liberar o Mansup para vendas internacionais. O empreendimento, sob a direção de agências oficiais, está sendo executado por quatro empresas do setor privado. A expectativa é de que ao menos dez nações da América do Sul, África, Ásia e Oceania considerem a substituição dos antigos Exocet B1 e B2. O preço comercial do míssil ainda não foi definido.

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