Por: Ademar Fernando Gunsch Gruber

 

Maués tem características únicas em nosso estado. Primeiro pela importância na Guerra da Cabanagem e como destino de famílias dos Oficiais do Exército Imperial que tiveram e tem participação importante na história de nosso Amazonas.

Segundo, contra todas as previsões, não tivemos o surto do êxodo rural no início dos anos 90 e que foram singulares em todo o país. E, finalmente aos nossos índios Maués, pela domesticação e desidratação do Guaraná, nosso fruto símbolo e que faz parte da memória de nosso povo e é a história de nossa terra. Coari com o Petróleo, Presidente Figueiredo com minério são os municípios com maior participação de recursos na distribuição de valores, porém, se analisarmos nos últimos trinta anos a renda per capita do interior, veremos que Maués, mesmo sem royalty, permanece entre os maiores do interior. Deve-se isto a quem? Aos Prefeitos? Vereadores? O escambau… deve-se ao Guaraná…

MAUÉS MAIO 2018

O Guaraná manteve as famílias no campo, capitalizou e muitos moram no interior e aos finais de semana estão na cidade em casas próprias ou de parentes. Nosso déficit habitacional deve ser um dos menores do país, tanto que se vê inúmeros casos de gente sem necessidade com casas novas nos “Conjuntos da vida”.

E o que se faz pelo Guaraná?

 Tivemos uma ação concentrada pelo Prefeito Theodomiro Muniz (1974), depois pelo Luiz Canindé ( 1990) e finalmente em 2001 com Sidney Leite, Governador Amazonino Mendes e AMBEV no maior programa de renúncia fiscal de impostos para a implantação do núcleo de sucos concentrados na Zona Franca (Aliás, PIM – Polo Industrial de Manaus).

Nestes quase vinte anos o Estado (Maués também) abriu mão de mais de R$1,4 Bilhões de reais, média de mais de R$ 140 milhões por ano. (Ver portal da transferência do Amazonas – Incentivos da indústria de concentrados – Suframa/Governo do Estado), em contrapartida parcela ínfima de recursos para incentivo ao guaraná, a cultura Amazônica a Festa do Guaraná.

Agora, às vésperas da festa da comemoração da colheita o preço na “Beira” está em R$ 13,00 (TREZE REAIS) O KG. Brincadeira ou palhaçada?

Dizem que a Ambev abriu compra dos credenciados a R$ 22,00 (Vinte e dois) o Kg, menos mal, mas vai privilegiar o atravessador. E o tão propalado IG – Indicativo Geográfico de origem? Fico olhando pasmo, criaram uma barreira impedindo a entrada de laranja de Roraima para impedir a propagação de doenças nos nossos laranjais, e aqui não conseguimos identificar o Guaraná que vem da Bahia e do Mato Grosso e que nesta época enche aos compradores de plantão, ou então são transportados aos poucos durante o ano. Só para lembrar a renúncia fiscal de impostos é para a industrialização da NOSSA PRODUÇÃO como incentivo ao desenvolvimento, e não de outros estados que se beneficiam inclusive da isenção de impostos por se destinarem a Zona Franca. Tem um cadáver no armário. O Brasil está mudando e muita coisa irá acontecer.

BOA FESTA DO GUARANÁ COM RECURSOS DE NOSSOS PRODUTORES.

Vivi posso falar.